Agora É Rubem rompe com a base do prefeito, apoia Raquel Lyra e endossa investigação sobre supostas irregularidades em concurso público.

A política do Recife entrou em um novo patamar de tensão nesta sexta-feira, 23 de janeiro, após o vereador Agora É Rubem (PSB) assinar uma iniciativa que pode resultar na abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o prefeito João Campos, também filiado ao PSB. O movimento ocorre em meio à repercussão do pedido de impeachment apresentado no início de janeiro pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que acusa o gestor municipal de crime de responsabilidade e improbidade administrativa.

No centro da controvérsia está uma nomeação no concurso público para Procurador do Município. De acordo com o pedido protocolado na Câmara Municipal, a Prefeitura teria desrespeitado a ordem de classificação e as regras específicas destinadas às vagas para pessoas com deficiência. O documento sustenta que um candidato que figurava na 63ª posição na ampla concorrência teria sido alçado ao primeiro lugar na lista de cotas, contrariando pareceres técnicos e os princípios da legalidade e da impessoalidade que regem a administração pública.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que o candidato beneficiado é filho de um juiz que, recentemente, arquivou investigações envolvendo a gestão municipal, levantando questionamentos sobre possível conflito de interesses e favorecimento indevido.

A decisão de Agora É Rubem tem peso político adicional. Recentemente, o parlamentar rompeu com a base governista na Câmara e declarou apoio à governadora Raquel Lyra (PSD), hoje principal adversária de João Campos no cenário estadual, especialmente diante da possibilidade de o prefeito disputar o Governo de Pernambuco em 2026. A adesão de um vereador do próprio PSB a uma iniciativa contra o prefeito sinaliza uma reorganização interna e fragiliza ainda mais a sustentação política do Executivo na Casa de José Mariano.

Em suas redes sociais, Rubem afirmou estar “do lado do povo” e defendeu que a transparência deve prevalecer sobre qualquer aliança partidária. Caso a CPI seja instalada, o episódio poderá aprofundar o embate entre governistas e oposição, além de produzir impactos diretos na disputa política que já se desenha para os próximos anos em Pernambuco.